Durante décadas, a síndrome do ovário poliquístico (SOP) tem sido um dos diagnósticos mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva. No entanto, também tem sido um dos mais mal interpretados. Muitas mulheres receberam este diagnóstico sem uma explicação clara. Algumas entenderam que tinham "quistos nos ovários", outras associaram-no unicamente a ciclos irregulares, acne, aumento de pelos ou dificuldades em conceber. Mas a evidência científica atual aponta para uma realidade muito mais complexa: a SOP não é apenas um problema ovárico.
Neste contexto, uma recente proposta publicada na The Lancet sugere uma mudança importante na nomenclatura. O termo SOP poderia ser substituído por SOMP: síndrome ovárica metabólica poliendócrina. Esta mudança não é apenas semântica: procura refletir melhor a natureza real da síndrome e melhorar a sua compreensão, diagnóstico e abordagem clínica.
Um nome que não refletia a realidade
O termo “ovário poliquístico” gerou durante anos uma ideia errada. Sugere a presença de quistos ováricos, quando na realidade o que se observa em muitos casos são folículos detidos no seu desenvolvimento, não quistos patológicos.
Além disso, nem todas as mulheres com SOP apresentam este padrão ecográfico, o que contribuiu para confusão, atrasos diagnósticos e uma visão incompleta do problema.
Reduzir a síndrome a uma alteração ovárica levou, em muitos casos, a ignorar a sua dimensão hormonal, metabólica e sistémica.
A SOP é uma das alterações endócrinas mais comuns em mulheres em idade fértil, afetando milhões de mulheres em todo o mundo. No entanto, continua a ser subdiagnosticada ou mal explicada em muitos casos.
Hoje é reconhecida como uma condição multissistémica, o que significa que não afeta apenas o sistema reprodutivo, mas também o metabolismo, o equilíbrio hormonal geral e, em muitos casos, o bem-estar emocional.
Entre as suas manifestações mais frequentes encontram-se:
- Alterações do ciclo menstrual
- Anovulação ou irregularidade ovulatória
- Excesso de andrógenos (hiperandrogenismo)
- Acne e queda de cabelo
- Aumento de peso ou dificuldade em perdê-lo
- Resistência à insulina
- Alterações do estado de espírito
SOMP: uma abordagem mais completa e realista
O novo termo proposto, síndrome ovárica metabólica poliendócrina (SOMP), tenta integrar de forma mais precisa todos os componentes da condição.
A síndrome pode influenciar de forma significativa a qualidade de vida, tanto a nível físico como emocional:
- Fadiga persistente
- Alterações do sono
- Alterações do estado de espírito
- Ansiedade ou sintomas depressivos
- Impacto na autoestima
- Dificuldades metabólicas a longo prazo
A proposta de substituir SOP por SOMP não pretende complicar a linguagem médica, mas sim o oposto: torná-la mais precisa e representativa.
Um nome mais adequado pode ajudar a:
- Reduzir confusões sobre a doença
- Melhorar a comunicação médico-paciente
- Favorecer diagnósticos mais precoces
- Evitar a fragmentação do tratamento
- Promover uma abordagem mais completa e personalizada
No fundo, o que muda não é tanto a doença, mas a forma de a entender. Antes era vista como um problema principalmente ginecológico, e agora é entendida mais como uma condição hormonal e metabólica que afeta todo o corpo.
Por isso, um dos pilares fundamentais para melhorar os sintomas e o manejo da síndrome é o estilo de vida, especialmente a alimentação e a atividade física, que podem influenciar diretamente a resistência à insulina e o equilíbrio hormonal. Neste sentido, em Dietflash estudamos cada caso de forma individualizada para poder preparar uma dieta equilibrada, estruturada e adaptada às necessidades de cada pessoa, acompanhando assim uma abordagem mais completa desta condição.